La Salete - França.
Significado Evangélico da mensagem de La Salete
Para ver e compreender.
"Eis porque lhes falo em parábolas: Para que vendo, não vejam, e ouvindo,
não ouçam nem compreendam" (Mt 13,13)
Antes de falar, a Senhora se comunica por sinais. Maria, Mãe de Jesus e Mãe
nossa, irradia a luz da ressurreição. O brilho de seu rosto é tal que Maximino
é incapaz de olhar para Ela o tempo todo, e Mélanie se deslumbra com Sua
presença. Suas vestes, como as de Cristo na montanha no dia da Transfiguração,
igualmente resplandesce de luz. A luz provém do grande Crucifixo que tem sobre
Seu peito. Aparecendo em La Salette, Maria Santíssima continua levando a cabo a
missão que recebeu ao pé da Cruz: tomar o sofrimento e a dor por nós, para nos
dar vida na Fé. "Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão
Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado". (1Cor 2,2).
O crucifixo está entre um martelo e umas torqueses, os instrumentos da Paixão.
Dos ombros da formosa Senhora cai uma corrente grossa, símbolo bíblico do
pecado e das injustiças cometidas por nós contra nossos irmãos. Paralelamente
às correntes, nas bordas do xale, a formosa Senhora tem rosas de várias cores. Isto
nos recorda o Rosário. Desde nossas raízes humanas até à Cruz e da Cruz à
glória e ao festim celeste. Também há rosas ao redor de Sua cabeça, como um
diadema de luz e ao redor de Seus pés. "Lancei raízes no meio de um povo
glorioso, cuja herança está na partilha de meu Deus... Cresci como a palmeira
de Cades, como as roseiras de Jericó" (cf. Eclo 24,16-18).
A Constituição Gaudium et Spes (13) do Concílio Vaticano II nos diz: "Daí
que o homem está dividido dentro de si mesmo. Por isso toda vida humana,
individual ou coletiva, se nos apresenta como uma luta dramática, entre o mal e
o bem, enrre as trevas e a luz. Mas o homem ainda se encontra incapacitado para
resistir eficazmente por si mesmo aos ataques do mal, até sentir-se como
acorrentado".
Ouvi e ponde em prática (Lc 6,46; 8,21; 11,28, Tg 1,25-27)
Pela maternal caridade da Virgem Santíssima, Ela intercede, Ela Se preocupa e
continua trazendo os dons da salvação eterna a nós, irmãos de Seu Filho, que
ainda estamos peregrinando nesta terra, rodeados de perigos e dificuldades até
o dia de entrar na pátria feliz.
A Santíssima Virgem fala o idioma de Seu povo. A Virgem Santíssima é uma
"filha de Israel" que viveu em uma cultura específica. Ela aparece
também Se comunicando segundo a cultura de Seus filhos. Há uma grande
consonância entre sua preocupação e a linguagem do povo. Na Bíblia, a Palavra
de Deus se manifesta de uma maneira concreta na história do povo de Deus. Maria
como filha de Israel nos ensina a descobrir, através dos eventos e situações da
vida, a presença discreta de Deus que "faz maravilhas" e que "se
recorda de seu amor por seu povo".
Ela nos chama à conversão urgentemente. Por Seu imenso amor, preocupa-se com
nossa indiferença religiosa e com nossos pecados, mas também com nossos problemas
e esperanças.
A Virgem se situa na tradição dos profetas. Um profeta é aquele a quem Deus
confia a missão de falar em Seu Nome ao povo, para revelar a esse povo, nos
eventos passageiros deste mundo, a chamada a um amor maior. Em La Salette, a
Virgem considera a situação atual das colheitas: o trigo, as batatas, as uvas e
as nozes. Ela começa com a previsão pessimista dos agricultores: fome e morte
infantil se o trigo continuar assim. Diz que nós não prestamos atenção e logo
chama a atenção de cada um: "Portanto se convertam". Recorda-nos a
chamada dAquele que é a Palavra: O reino de Deus está próximo: convertei-vos e
crede no Evangelho" (Mc 1,15), e novamente nos diz: "Não vos
preocupeis, buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça (Mt 6,33).
Na verdade é uma chamada do Evangelho que talvez tenhamos esquecido e a Virgem
Santíssima nos recorda. Analisando seu discurso, damo-nos conta das grandes
verdades encontradas nos Evangelhos.
Tudo se concentra em Cristo: Cristo crucificado e ressuscitado. O papel de
Maria Santíssima com relação a todo crente é unir-nos a Jesus, em nossas lutas,
batalhas e sacrifícios temos a oportunidade de ser transfigurados em Cristo.
Em Nome de Cristo te imploramos ( Jo 20,31; Atos 4,12)
A Virgem Santíssima, tomando por modelo Jesus ressuscitado, vem como mensageira
de paz, essa paz que é fruto do Evangelho vivido. A Virgem vem nos implorar que
retornemos a Jesus. Pede-nos também que, em união com ela, sejamos mensageiros.
A Boa Nova precisa ser proclamada, ouvida e difundida.
A Virgem disse: "Se meu povo não quiser se submeter..." Nestes tempos
modernos é difícil ouvir palavras de advertência. Mas a Virgem não vem nos
tirar a liberdade nem para nos ameaçar, mas para nos convidar a viver no reino
e liderança de Cristo, em comunhão com Sua vontade. Esta submissão, a qual é
comunhão com Deus, é a que Maria, a humilde escrava do Senhor, viveu desde a
Anunciação até a Crucifixão e o Pentecostes. E é por isso que todas as gerações
chamá-la-ão bendita (Lc 1,48).
Jamais poderemos recompensar a dor que a Virgem sofreu por nós, mas isso é
motivo para respondermos o mais generosamente possível. "Por tanto,
ofereçam todos os fiéis súplicas constantes à Mãe de Deus e Mãe dos homens,
para que Ela, que esteve presente às primeiras orações da Igreja, exaltada
agora no céu sobre todos os bem-aventurados e os anjos, na comunhão de todos os
santos, interceda também diante de Seu Filho" (Conc Vat II, LG, 69).
Reconciliai-vos com Deus (cf. Mt 5,23; Mc 11,24; 2Cor 5,18; Ef 2,15 )
Nossa Senhora especifica duas rejeições do povo. "As duas coisas que fazem
o braço de Meu Filho tão pesado" são:
1. "O desrespeito ao Dia do Senhor". Isto nos leva a recordar os dois
primeiros Livros da Bíblia, o Gênesis e o Êxodo, e a recordar que desde o
princípio os cristãos celebram o domingo como dia da Ressurreição. Como
honramos o Dia que o Senhor reservou para Si mesmo? É de fato um dia de
repouso, dia de assistir à Santa Missa?
2. "O desrespeito ao Nome de Meu Filho". Os que usam o Nome de Cristo
pelas menores adversidades e impõem a Deus a responsabilidade por elas,
esquecendo-se assim das próprias responsabilidades. Quando nos vemos assediados
por todo tipo de provas, egoistamente nos fechamos em nós mesmos sem esperança.
A Vifgem vem recordar-nos novamente que "Santo é Seu Nome", porque
não há debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos
(Atos 4,12). E tudo quanto fizerdes, de palavra e de obra, fazei-o em nome do
Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai (Col 3,17).
(O homem), muitas vezes ao negar reconhecer a Deus como seu princípio,
transtornou, além disso, sua devida ordenação a um fim último e, ao mesmo
tempo, prejudicou todo o programa traçado para suas relações consigo mesmo, com
todos os homens e com toda a criação (Conc. Vat II, Gaudium et Spes,13).
As coisas que se corroem (cf. Mt 6,19; Lc 12,13; Tg 5,3)
A rebelião contra Deus, que significa "a morte de Deus em nós"
inevitavelmente nos levará à morte e à ruptura harmoniosa com o universo. Essa
ruptura é a causa da corrupção. Para nos redimir desses males é que veio Nosso
Senhor. Em La Salette, a Virgem não nos tira da realidade, mas ao contrário,
nos faz um chamado urgente para reconhecermos os perigos em que vivemos e nos
abramos à redenção que oferece Seu Filho. As colheitas e batatas podres, o
trigo que se torna pó, as nozes vazias, as uvas nas vinhas estragadas, fomes e
epidemias, tudo isso é causado pelo pecado.
Nossa situação precária e a duração restrita de nossas vidas têm, no entanto,
um ponto positivamente elevado, sendo estes motivos que nos chamam à própria
conversão, instando-nos ao seguimento de Cristo, vivendo hoje a vida nova que
Ele viveu até o Calvário. Essa é a fonte de nossa confiança. Nesta terra onde
duas terças partes da humanidade hoje sofrem de fome e desnutrição, onde os
direitos humanos são desrespeitados, a injustiça se encontra à nossa porta, os
riscos da destruição aumentam; que tudo isto nos faça meditar nos "sinais
de Deus" e nos voltem a Ele. Assim agiremos como verdadeiros irmãos, em
especial com os menos afortunados.
Se se converterem (cf. Ez 18,30; 1Rs 8,35; Mc 1:15; Lc 15; Atos 2,38; 3,19)
O chamado à conversão está no coração da mensagem de La Salette. Tudo se dirige
para esse fim: as lágrimas e o crucifixo, a luz e as rosas, as atitudes da Bela
Senhora, seu caminhar desde o declive até o cume, mas sobretudo o discurso da
Virgem. "Regressai a Deus com todo o vosso coração", Ele é a única
fonte de vida.
A ansiosa espera da criação deseja vivamente a revelação dos filhos de Deus...
na esperança de ser libertada da corrupção para participar da gloriosa
liberdade dos filhos de Deus (Rm 8,19).
O caminho para a conversão: três pontos (Mt 6,5; Mc 14,32; Lc 18,1; Jo 17)
1. Oração perseverante e profunda: "Fazeis bem vossas orações?"
"Não muito bem, Senhora", responderam. Talvez também essa seja nossa
resposta. A Virgem Santíssima nos exorta a rezar diariamente, pela manhã e pela
tarde. Vigiai e orai (Mt 26,41). A Virgem lhes pede no mínimo, um Pai Nosso e
uma Ave Maria, mas exorta-os a ir mais além quando puderem.
Os discípulos de Cristo, perseverando na oração e louvor a Deus (Atos 2,42),
oferecer-se-ão a si mesmos como hóstia viva, santa e grata a Deus (Rm 12,1),
hão de dar testemunho de Cristo em todo lugar e, a quem lhes pedir, hão de dar
também a razão da esperança que têm na vida eterna (1Pd 3,15) (Conc Vat II, LG,
10).
2. Participação na Santa Missa: "Durante o verão somente algumas mulheres
idosas vão à Missa". A participação semanal como cristãos na celebração da
Missa Dominical é uma necessidade vital. A Palavra de Deus nutre nossa fé, o
contato com Cristo na fração do pão para um novo mundo é fonte de dinamismo, a
comunhão com Seu Corpo entregue por nós e Seu Sangue derramado nos recorda que
devemos estar prontos para dar nossas vidas pelos outros e então nos fazer
participantes, sendo fortalecidos em Seu Espírito. No coração deste mundo que
passa e ao qual estamos ainda ligados por nossa cegueira e inércia, a Igreja,
na celebração da Eucaristia, compreende e anuncia que o mundo novo, inaugurado
por Cristo ressuscitado, está realmente presente entre nós, e é ncessário que
sejamos suas testemunhas em nossa vida cotidiana, através de nossa conduta
individual e como membros da sociedade. A necessidade eucarística então é fonte
de esperança e de gozo que ninguém nos poderá tirar (Lc 21,14; Jo 13,1;
20,19-26).
3. Recuperar nossa dignidade agindo como cristãos: "Durante a Quaresma vão
ao açougue como cães". Longe de nos escandalizar, as palavras de Nossa
Senhora deveriam transpassar nossas consciências. Nas Sagradas Escrituras,
quando o povo é comparado com cães significa que este perdeu o sentido de sua
dignidade (Fl 3,2; Mt 7,6). O que fazemos realmente com nossa dignidade de
filhos de Deus, quando desperdiçamos o alimento, quando menostrezamos os bens
de que talvez outros necessitem? Para recuperar nossa dignidade devemos nos dar
conta de que não só de pão vive o homem e que os esforços necessários que
fizermos para compartilhar nossas bênçãos com os outros nos põe em comunhão com
o Filho de Deus, de Quem procede nossa dignidade. "Em verdade vos digo que
o que fizerdes a um destes irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes" (Mt
25,40).
Todo ano se nos apresenta o maravilhoso testemunho dado por Jesus durante sua
Paixão (1Tm 6) e é uma recordação de que nunca devemos "vender" nossa
dignidade. O poder da ressurreição está entre nós, obrande e fazendo-nos filhos
de Deus. Então não pode haver nada que nos comprometa com a falsidade, a
injustiça, o dinheiro ou o poder. Não vivamos como cães mas que todo o nosso
ser e nossos bens estejam à disposição do Pai, custe o que custar.
Na fazenda de "Coins" (Jr 23,24; Os 6,1; Mt 28,20; Lc 24,29; 2Cor
6,16).
A Bela Senhora faz menção, a Maximino, de um evento aparentemente sem
importância. Um pequeno gesto e uma observação que seu pai havia feito. Por
muito tempo o senhor Giraude não ia à igreja e era realmente indiferente à
religião. Quando em 20 de setembro ouviu o relato da Aparição, sua reação foi
proibir seu filho de dizer novamente essas histórias sem sentido. Dias mais
tarde, aborrecido pelo ir e vir das pessoas interessadas em fazer perguntas a
Maximino, ameaçou-o de duros castigos. "Mas, papai, Ela me falou de
ti", exclamou o menino. Recordou a ele o episódio do trigo estragado na
fazenda de Coins e o pedaço de pão que havia dado a seu filho de volta a Corps.
Assim, como Maximino havia se esquecido do incidente, igualmente o havia
esquecido seu pai. O senhor Giraud se surpreende, pensava que talvez havia
desterrado Deus de sua vida e agora descobre que nem seguer por um instante
Deus deixa de perceber suas esperanças e ansiedades e em particular do temor de
não ter mais pão para dar a seu filho. Essa descoberta será o começo de uma
autêntica conversão que será intensificada mais tarde com a milagrosa cura de
sua asma crônica.
Poderíamos nos perguntar se realmente estamos conscientes da presença de Deus
que nos acompanha a onde quer que vamos. Quando repartimos o pão, quando o
distribuímos entre os faminos, onde quer que se dê vida, aí o Pai está, pos Ele
é a fonte da Vida.
A dimensão Missionária é urgente (Mt 28,18; Lc10,1; Jo 17,18; 20,21; Rm 10,13).
"Pois bem, meus filhos, transmitireis isto a todo meu povo". A
dimensão missionária é essencial para todo cristão e Nossa Senhora no-lo
recorda. Cristo nosso Senhor veio criar novas condições de vida, reconciliada
com Deus e com o próximo. Devemos dedicar nossa existência a realizar esta vida
de reconciliação neste mundo dividido no qual nos encontramos. A Reconciliação
é a força viva capaz de abrir o futuro a todas as gentes, renovando assim os
laços cortados ou debilitados pelo egoísmo e pelos temores. Neste mundo onde
tantos trabalham, contróem, sofrem e esperam, tenhamos somente um tipo de
obsessão: a obsessão missionária.
São muitos os peregrinos que se aproximam da Aparição de La Salette e sobem a
montanha santa. Todos juntos e cada um pessoalmente se sente chamado pela Bela
Senhor que nos recorda que Deus "rico em misericórdia" está presente
na vida de cada um.
Como não dar atenção diante de tanta ternura? Como resistir ao pranto
incessante daquela que ora e intercede por nós sem cessar? Ela está junto a nós
com sua atenção materna, em cada detalhe e acontecimento de nossas vidas. Em
nossas lutas e penas, em nossas decisões enossas aflições diárias. Maria
Santíssima, fiel à missão recebida no Calvário, nunca cessa de nos recordar os
meios que nos foram dados para regressar a Seu Filho; pois sem Sua ajuda não
poderemos construir nossas vidas ou nosso mundo. A rejeição de Sua graça traz
sérias conseqüências. Maria, nossa advogada e reconciliadora veio a La Salette
recordar-nos esta verdade.

Esquecemo-nos das verdades do
Evangelho e, ao contemplar sua aparição e aprofundar-nos em suas palavras,
devemos mover-nos a responder a seu chamado, aliviando sua dor, e nxugando suas
lágrimas, retornando a Deus com todo o nosso coração, através de Seu Filho
Jesus Cristo, Que é o Caminho, a Verdade e a Vida. O que foi crucificado por
nossos pecados e ressuscitou dentro os mortos para nossa salvação. Jesus, nossa
paz e reconciliação.